"A floresta nunca foi o lugar mais assustador.
O mais assustador sempre foi o retorno."
Em 1492 havia uma ilha desenhada no Atlântico. Não existia. Em 1519 dois países assinaram um tratado sobre ela.
Colombo escreveu: cheguei. Estava às portas da Amazônia.
Hy-Brasil. Em gaélico. O nome veio antes do lugar.
Depois veio o lugar.
Depois vieram os que vieram.
Depois aconteceu o que aconteceu.
Depois viemos.
O Gothicus brasiliensis não é um estado — é um clima.
Herdamos o Tropicalismo, mas não o festejamos. O habitamos.
O Gothicus brasiliensis começa onde o Tropicalismo parou de dançar.
A tristeza é a prova dos nove.
E a sobrevivência, o Porto Seguro.
Emigrei. A ferida colonial não emigrou comigo. Ela já estava lá quando cheguei.
Cheguei ao mundo que inventou o Brasil — insula perdita.
Aqui desenharam nos mapas uma ilha abençoada que nunca existiu.
A bênção que produziu a ferida.
O Gothicus brasiliensis é o clima que viaja no corpo.
Não o lugar. O corpo.
62 criaturas do imaginário brasileiro — do Anhangá ao Jabuti vingador. Monstros, visagens e encantamentos mapeados em 9 obras, 4 autores.
compêndio →As criaturas distribuídas pelos 27 estados. Clique num estado para ver o que o assombra. São Paulo lidera com 26. Alguns estados têm apenas um.
cartografia →O bestiário como baralho. Cada criatura vira carta — sortear uma é o primeiro gesto do oráculo.
sortear →Carta do dia, tiragem de três ou cruz celta completa. Cada criatura carrega significado direto e invertido nos quatro centros: intelecto, coração, criativo, material.
consultar →Ensaio sonoro sobre o imaginário obscuro do Brasil. Cada episódio entra por uma criatura e sai por onde quer. 56 criaturas, 8 eixos temáticos, o mapa não tem borda.
ouvir →Textos, ensaios, áudios e imagens que o clima produz. Nenhum pressupõe o anterior. Entrar por onde quiser — o nômade não se move, a floresta antecede a voz, o mapa medieval não tem legenda.
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